Nos dias 9 e 10 de outubro, tivemos o privilégio de acolher, na biblioteca escolar, o Senhor António Custódio, artesão especializado na construção de
embarcações tradicionais portuguesas em cortiça, concebidas para a navegação.
Com grande mestria e rigor, dedica-se à criação destas embarcações, em cortiça, navegáveis, fiéis à
tradição histórica e executadas com elevada precisão.
Através da atividade intitulada «António Custódio – O Homem ao Leme»,
fomos convidados a valorizar o trabalho artesanal e a refletir de forma crítica
e consciente sobre a nossa cultura e a nossa História. Esta experiência foi
muito além da simples observação, constituindo um momento de partilha de
saberes que permitiu explorar um léxico marítimo específico, incluindo
expressões idiomáticas como «põe-te n’alheta!», preservar técnicas ancestrais e
valorizar o património cultural.
Num diálogo animado, acompanhado da manipulação de embarcações em cortiça e de outros materiais, os alunos revelaram grande curiosidade e formularam numerosas questões. Demonstraram particular admiração pela textura da casca de cortiça.
Portugal é um povo profundamente ligado ao mar, que há cinco séculos
encontrou nele uma alternativa económica decisiva, ainda hoje fundamental para
o seu desenvolvimento. Acompanhando de perto a construção destas embarcações,
como “o catraio”, aprofundámos o conhecimento do património marítimo nacional e
da nossa identidade cultural.
A cortiça, material central neste processo, é outro símbolo nacional. Portugal é o maior produtor mundial deste recurso sustentável, renovável e de elevado valor ecológico, utilizado tanto no artesanato como em contextos inovadores, como o isolamento térmico de naves espaciais.
Preservar estas embarcações é valorizar a tradição, a identidade portuguesa e a capacidade de inovar a partir das nossas raízes.
António Custódio (n. 1946) - Biografia
Nasceu na localidade de Porto Côvo, concelho de Sines, e foi o quinto
filho de um total de 10 irmãos.
Foi contabilista na Lisnave e trabalhou nos parques da ESLI, em Lisboa. Ao longo do seu percurso profissional, apostou na sua formação e, já adulto, foi-se propondo a exames, quando o navio-escola Sagres vinha a terra, tendo obtido equivalência ao 9.º ano. Posteriormente, concluiu o 12.º ano, frequentando o ensino noturno.

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