Nos dias 9 e 10 de outubro, tivemos o privilégio de acolher, na biblioteca escolar, o Senhor António Custódio, artesão especializado na construção de
embarcações tradicionais portuguesas em cortiça, concebidas para a navegação.
Com grande mestria e rigor, dedica-se à criação destas embarcações, navegáveis, fiéis à
tradição histórica e executadas com elevada precisão.
Através da atividade intitulada «António Custódio – O Homem ao Leme»,
fomos convidados a valorizar o trabalho artesanal e a refletir de forma crítica
e consciente sobre a nossa cultura e a nossa História. Esta experiência foi
muito além da simples observação, constituindo um momento de partilha de
saberes que permitiu explorar um léxico marítimo específico, incluindo
expressões idiomáticas como «põe-te n’alheta!», preservar técnicas ancestrais e
valorizar o património cultural.
Assistiram às sessões 164 alunos do 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário e de PLNM. Revelaram grande curiosidade e formularam numerosas questões, sendo que alguns deles demonstraram particular admiração pela textura da casca da cortiça.
Portugal é um povo profundamente ligado ao mar, que há cinco séculos
encontrou nele uma alternativa económica decisiva, ainda hoje fundamental para
o seu desenvolvimento. Acompanhando de perto a construção destas embarcações,
como “o catraio”, aprofundámos o conhecimento do património marítimo nacional e
da nossa identidade cultural.
A cortiça, material central neste processo, é outro símbolo nacional.
Portugal é o maior produtor mundial deste recurso sustentável, renovável e de
elevado valor ecológico, utilizado tanto no artesanato como em contextos
inovadores, como o isolamento térmico de naves espaciais.
Preservar estas
embarcações é valorizar a tradição, a identidade portuguesa e a capacidade de
inovar a partir das nossas raízes.
António Custódio - Biografia
*Nasceu na localidade de Porto Côvo, concelho de Sines, numa família numerosa.
Aos 10 anos já ia à pesca com os "homens, como os homens!" e
corria pela praia para carregar o material e ajudar os adultos nas chatas que
já sabia manobrar e "zingar”.
Não havia muitos brinquedos, por isso os mais velhos faziam pequenos
barcos para os mais novos, de cortiça e com tudo o que encontravam para fazer
velas improvisadas . Era no porto dos barcos dos adultos que, com os amigos,
fazia as regatas e nadava para resgatar os pequenos barcos.
O mar e os barcos mantiveram-se sempre no seu caminho e a vida na
Marinha levou-o até à ilha da Madeira, onde conheceu a sua esposa.
Foi
contabilista na Lisnave e trabalhou nos parques da ESLI, em Lisboa. Ao longo do seu percurso profissional, apostou na sua formação e, já
adulto, foi-se propondo a exames, quando o navio-escola Sagres vinha a terra,
tendo obtido equivalência ao 9.º ano. Posteriormente, concluiu o 12.º ano,
frequentando o ensino noturno.
Mais tarde, concluiu o curso de Instrutor de condução de ligeiros,
pesados, articulados, transporte de passageiros e de ensino de mecânica. Não o
sabia então, mas ensinar os outros sempre foi a profissão da sua eleição!
Após um pedido do neto mais velho, nascido exatamente 64 anos depois do
avô, este construiu-lhe um pequeno barco de cortiça… e assim teve início esta
aventura!

