Os alunos da turma C do 10º ano de Humanidades participaram nas atividades
do Safer Internet Day 2026, no âmbito do projeto eTwinning ScoopStainable
– Journalism for Tomorrow’s Sustainable Citizens. Esta iniciativa
internacional promove o uso seguro, ético e responsável da internet e, este
ano, centrou-se no tema da Inteligência Artificial.
Os alunos desenvolveram várias tarefas colaborativas com os seus pares
internacionais, refletindo sobre os desafios e as oportunidades de viver num
mundo cada vez mais digital, com especial destaque para questões de ética,
integridade académica e equidade no uso da IA.
Através de uma metodologia adaptada do Think–Pair–Share, os
alunos analisaram recomendações do UK Safer Internet Centre,
registaram as suas reflexões em fóruns de equipa, participaram em sessões
de brainstorming e comentaram e votaram as opiniões dos
colegas.
O ponto alto da atividade foi a criação, em equipas internacionais, de
um AI Manifesto, centrado no uso responsável, crítico e consciente
da Inteligência Artificial.
Os participantes tiveram ainda a oportunidade de comparar diferentes
políticas escolares sobre o uso da IA, debatendo regras, direitos e
responsabilidades, bem como identificando semelhanças e diferenças entre
contextos educativos.
Ao longo das atividades, foram debatidos temas fundamentais como a
utilização ética da IA, a integridade académica, a transparência no recurso a
estas ferramentas e a necessidade de assegurar igualdade de acesso às
tecnologias.
Esta experiência permitiu desenvolver competências de cidadania digital,
pensamento crítico, comunicação em língua inglesa e trabalho colaborativo,
preparando os alunos para uma participação mais consciente, informada e
responsável no mundo digital.
eBook que reúne os manifestos produzidos no âmbito desta atividade:
"I wonder whether the tiny atoms
and nuclei, or the mathematical symbols, or the DNA molecules have any
preference for either masculine or feminine treatment.”
— Chien-Shiung Wu, Física Nuclear
Em 2025, celebram-se os 50 anos das primeiras eleições livres em Portugal, realizadas em
1975, um momento decisivo para a democracia e para os direitos das mulheres.
Pela primeira vez, as mulheres puderam votar e ser eleitas em condições de
igualdade, rompendo com décadas de exclusão política. Desde então, o seu papel
na sociedade tem vindo a afirmar-se em várias áreas — com destaque para a
ciência.
Hoje,
as mulheres lideram investigações, coordenam instituições e marcam presença em
áreas tradicionalmente masculinas, como as engenharias, a física ou a
matemática. No entanto, esta ascensão tem sido feita num percurso repleto de
desafios, onde o reconhecimento continua, muitas vezes, aquém do merecido.
É neste
contexto que se insere o projeto europeu eTwinning SciHistoQuest,
dinamizado neste ano letivo pelo Agrupamento de Escolas Anselmo de Andrade, em
colaboração com escolas parceiras de Itália e Espanha. O projeto tem como
objetivo valorizar o contributo das mulheres na ciência ao longo da história -
um património tantas vezes silenciado ou esquecido.
Ao
longo das atividades, os alunos refletiram sobre a igualdade de género na
ciência e reconheceram que, apesar das limitações impostas por papéis sociais
rígidos, muitas mulheres tiveram um papel ativo e essencial no desenvolvimento
do conhecimento através dos tempos. Em colaboração com os parceiros
internacionais, produziram vídeos, comic strips, jogos sobre figuras
femininas na ciência e até entrevistas com cientistas de diferentes épocas,
recorrendo à Inteligência Artificial (Mizou).
Durante
a receção Erasmus aos colegas da Toscânia, os alunos portugueses partilharam os
trabalhos desenvolvidos numa exposição, participaram em jogos e atividades
conjuntas e colaboraram na criação de um mural coletivo dedicado às mulheres na
ciência. Um dos momentos mais marcantes foi o encontro com a astrobióloga Zita
Martins — um exemplo inspirador de excelência científica em Portugal —
conduzida com curiosidade e entusiasmo pelos alunos.
Zita Martins: A Ciência é inclusiva
A
cientista portuguesa partilhou o seu percurso académico e profissional, falou
sobre o fascinante campo da astrobiologia e refletiu sobre o papel da mulher no
mundo científico.
A
palestra, seguida de uma entrevista à investigadora, contou com a presença dos
parceiros internacionais do projeto, presencialmente e a distância O testemunho
inspirador de Zita Martins sublinhou que a ciência deve ser um espaço de
oportunidades para todos, independentemente do género.
Promover Igualdade e Inspirar Futuros
O
projeto SciHistoQuest mostra como a escola pode ser um espaço de
transformação, onde se promove a curiosidade científica, se desafiam
estereótipos e se constrói uma sociedade mais justa. Ao dar voz às mulheres na
ciência, celebramos não só o seu legado, mas também a promessa de um futuro
mais inclusivo.
Porque, como nos lembrou Zita Martins, “A ciência precisa de todas as
mentes” — e não há ciência verdadeiramente completa sem a voz no feminino
Nesta senda, a Ciência Viva lançou o 3.º volume do livro "Raparigas na Ciência" no dia 11 de fevereiro, às 11.00, no Pavilhão do Conhecimento – Centro Ciência Viva.
Celebrou-se o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência dando a conhecer os rostos de mais de 100 jovens que têm a ciência presente nas suas vidas, entre elas quatro alunas do Agrupamento de Escolas Anselmo de Andrade. De todo o país, frequentam entre o 1.º ciclo e o ensino secundário e estão envolvidas em projetos e competições internacionais de diferentes áreas científicas.