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domingo, 5 de julho de 2026

Mural «500 anos de Camões» - Iniciativa «Camões: Engenho e Arte»- 2024-2026

  V CENTENÁRIO - CAMÕES - MURAL

O painel interdisciplinar  (3,06m X 1,30) realizado por alunos do 12.º ano nas disciplinas de Desenho A e Oficina de Artes, em articulação com a biblioteca escolar, intitulado «500 anos de Camões», no âmbito da iniciativa Camões: Engenho e Arte, encontra-se em exposição no átrio da biblioteca escolarIntegrou uma exposição de artes visuais que teve aproximadamente 300 visitantes.

Os alunos recorreram a técnicas de composição em cruzamento de competências, com processos de azulejaria, colagem e dobragem de papel e desenvolveram competências criativas, técnicas e estéticas, promovendo a articulação curricular e a valorização do património cultural.


A figura central representa Luís de Camões, integrando-se nas comemorações do V Centenário do seu nascimento. 

A atividade promoveu criatividade, sensibilidade estética e valorização do património cultural português.  


Orientação: Professora Sofia Afonso


Palestra «Mitos» proferida pela Professora Doutora Leonor Santa Bárbara

No âmbito das comemorações dos 500 anos de Luís de Camões e da iniciativa «Camões: Engenho e Arte», teve lugar uma palestra intitulada «Mitos», proferida pela Professora Doutora Leonor Santa Bárbara, docente associada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigadora integrada do CHAM – Centro de Humanidades. É doutorada em Línguas e Literaturas Clássicas.

As duas sessões, realizadas no âmbito da Semana Cultural do Agrupamento, decorreram na biblioteca escolar, em horários distintos, e foram destinadas às turmas do 10.º e do 12.º anos.

No âmbito da preparação para a sessão, os alunos procederão à leitura e análise dos seguintes textos, que forma  trabalhados em articulação com Mensagem, de Fernando Pessoa, e Os Lusíadas, de Luís de Camões:

  • «Ulisses», in Mensagem, de Fernando Pessoa;
  • Excertos das Metamorfoses, de Ovídio;
  • «O Ciclope» (Idílio XI), incluído em Poesia Grega de Álcman a Teócrito, tradução de Frederico Lourenço.

Pretendeu-se que a leitura prévia destes textos permitisse estabelecer relações entre a tradição clássica, a literatura portuguesa e a construção dos mitos fundadores presentes nas obras em estudo.

Na ocasião, ofereceu à Biblioteca Escolar o livro Figuras Camonianas do Mito, da autoria de Mafalda Viana, editada pela Tinta da China. Centra-se em Os Lusíadas, analisando o papel das figuras mitológicas no poema e mostrando como Camões estabelece um diálogo com os poetas da Antiguidade, recuperando e recriando os seus temas na sua própria escrita.

O AE Anselmo de Andrade retribuiu com a oferta do livro Camões. Uma antologia, de Frederico Lourenço. 
















Palestra «Transforma-se o amador na coisa lida por virtude do muito imaginar» - Professora Lucília Achando


Transforma-se o amador na coisa lida por virtude do muito imaginar


A Professora Lucília Achando proferiu uma palestra dirigida aos alunos do 9.º ano de escolaridade intitulada Transforma-se o amador na coisa lida por virtude do muito imaginar. 

Fez um périplo pelos episódios mais significativos de Os Lusíadas, em interação com os alunos. Salientou a importância do episódio de Inês de Castro na literatura europeia. 

Os alunos realizaram leituras de alguns excertos da obra. 



sábado, 31 de janeiro de 2026

9 e 10 de outubro – Palestra – «António Custódio – O Homem ao Leme» - Construção de embarcações tradicionais portuguesas em cortiça

 

Nos dias 9 e 10 de outubro, tivemos o privilégio de acolher, na biblioteca escolar, o Senhor António Custódio, artesão especializado na construção de embarcações tradicionais portuguesas em cortiça, concebidas para a navegação. Com grande mestria e rigor, dedica-se à criação destas embarcações, navegáveis, fiéis à tradição histórica e executadas com elevada precisão.

Através da atividade intitulada «António Custódio – O Homem ao Leme», fomos convidados a valorizar o trabalho artesanal e a refletir de forma crítica e consciente sobre a nossa cultura e a nossa História. Esta experiência foi muito além da simples observação, constituindo um momento de partilha de saberes que permitiu explorar um léxico marítimo específico, incluindo expressões idiomáticas como «põe-te n’alheta!», preservar técnicas ancestrais e valorizar o património cultural. 

Assistiram às sessões 164 alunos do 2.º e 3.º ciclos e ensino secundário e de PLNM. Revelaram grande curiosidade e formularam numerosas questões, sendo que alguns deles demonstraram particular admiração pela textura da casca da cortiça. 

O Senhor António Custódio sublinhou que Portugal é uma nação intrinsecamente ligada ao mar, que há cinco séculos nele encontrou uma alternativa económica determinante e ainda hoje essencial para o seu desenvolvimento. No contexto das comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, referiu que esta relação ganha especial relevância, evocando a epopeia marítima celebrada em Os Lusíadas. Destacou ainda que, através da construção de embarcações tradicionais, como o “catraio”, se aprofundou o conhecimento do património marítimo nacional e da identidade cultural portuguesa, em diálogo com a obra camoniana e o imaginário dos Descobrimentos.

A cortiça, material central neste processo, é outro símbolo nacional. Portugal é o maior produtor mundial deste recurso sustentável, renovável e de elevado valor ecológico, utilizado tanto no artesanato como em contextos inovadores, como o isolamento térmico de naves espaciais. 

Preservar estas embarcações é valorizar a tradição, a identidade portuguesa e a capacidade de inovar a partir das nossas raízes. 


 

António Custódio  - Biografia

 *Nasceu na localidade de Porto Côvo, concelho de Sines, numa família numerosa. 

 Aos 10 anos já ia à pesca com os "homens, como os homens!" e corria pela praia para carregar o material e ajudar os adultos nas chatas que já sabia manobrar e "zingar”.

 Não havia muitos brinquedos, por isso os mais velhos faziam pequenos barcos para os mais novos, de cortiça e com tudo o que encontravam para fazer velas improvisadas . Era no porto dos barcos dos adultos que, com os amigos, fazia as regatas e nadava para resgatar os pequenos barcos.

 O mar e os barcos mantiveram-se sempre no seu caminho e a vida na Marinha levou-o até à ilha da Madeira, onde conheceu a sua esposa. 

Foi contabilista na Lisnave e trabalhou nos parques da ESLI, em Lisboa. Ao longo do seu percurso profissional, apostou na sua formação e, já adulto, foi-se propondo a exames, quando o navio-escola Sagres vinha a terra, tendo obtido equivalência ao 9.º ano. Posteriormente, concluiu o 12.º ano, frequentando o ensino noturno. 

 Mais tarde, concluiu o curso de Instrutor de condução de ligeiros, pesados, articulados, transporte de passageiros e de ensino de mecânica. Não o sabia então, mas ensinar os outros sempre foi a profissão da sua eleição!

 Após um pedido do neto mais velho, nascido exatamente 64 anos depois do avô, este construiu-lhe um pequeno barco de cortiça… e assim teve início esta aventura!